Rainey Marinho
Por 31/07/2019

Artigo: Tecnologia sim. Humanização sempre.

Texto de autoria de Rainey Marinho, oficial de RTDPJ em Maceió/AL e presidente do Instituto de Registro de Títulos e Documentos e de Pessoas Jurídicas do Brasil – IRTDPJBrasil.

Falo há muito tempo ‒ congresso após congresso ‒- que os cartórios do Brasil e suas lideranças precisam entender que existe um mundo completamente diferente batendo à nossa porta. Batia! Ele agora já entrou e está confortavelmente instalado em nossas salas. A matéria no site  https://veja.abril.com.br/economia/jp/startup-brasileira-vai-acabar-com-a-burocracia-na-assinatura-de-documento-e-registro-de-autenticidade/ demonstra isso claramente.

A população que nasceu há vinte anos, esse número maravilhoso de jovens conectados, plugados e inseridos em uma nova ordem mundial, a acessibilidade global, não consegue entender e assimilar o porquê de nossa letargia em mergulhar no mundo digital de forma efetiva. Afinal, será que para essa nova geração é tão necessária a segurança jurídica que ofertamos sem a conectividade em que eles vivem? A resposta é simples: claro que sim!!!

Pois, então, onde reside nosso problema de interação com esse usuário?

Ora, senhores e senhoras, a dificuldade está posta no bloqueio que nosso segmento ainda tem em conectar-se. Não só humanamente como categoria, mas tecnologicamente. Um distanciamento de ‒ nós em nós – e, por conseguinte, de nosso usuário. Tento germinar a ideia de que um tripé de atitudes tem de ser estabelecido.

Em primeiro lugar, urge a conectividade total entre todas as categorias. Uma imensa rede de informações onde possamos apresentar, enquanto segmento, um completo quadro estatístico brasileiro com pesquisas mais abrangentes, onde um portal único fosse a ponte com o usuário de todos os cartórios.

O segundo ponto em questão é a busca por uma tabela regionalizada e um modo operacional único de interpretá-la. O “posto Ipiranga” da segurança jurídica precisa ter um modo único de relacionamento com seu usuário. Afinal, como dizia o ministro Sérgio Kukina, do STJ, em um congresso em Foz do Iguaçu ‒ e guardo suas palavras com carinho e respeito ‒: “O notário e o registrador são a infantaria do direito”.  Mas um corpo como o nosso precisa ter ordenamento único. Hoje atuamos respeitando um sem-número de portarias, resoluções, provimentos estaduais e do CNJ. Muitos destes atos diferem completamente dos editados em outros estados, criando uma miscelânea administrativa de difícil entendimento para a população. Sem falar das legislações estaduais e federais.

Terceiro, e finalmente, os negócios jurídicos em meios eletrônicos vieram para ficar. B  lockchain, tabletssmartphones e terminais geram uma grande mobilidade a toda sociedade. Precisamos nos inserir – com segurança jurídica – nesse mundo que veio para ficar e, por que não dizer, partir já. Pois novas tecnologias batem à nossa porta constantemente e a todo o momento.

A última grande nova é a IA – Inteligência Artificial. Um avanço fantástico que certamente facilitará a vida mundo afora. Mas, em nosso caso, precisamos usá-la e pensá-la como facilitadora, e não como um fim em nossa atividade. Afinal, possuímos algo que ela não tem e nunca terá, por maior que sejam os milhões de dados que possivelmente irá processar em segundos. Nós possuímos, como humanos, o poder supremo, e por que não dizer, divino da hesitação. Nós possuímos a dúvida na análise de documentos que significam para nosso usuário Vida. Porque mesmo quando tudo parece completamente certo, muitas vezes, pela experiência profissional, sabemos que não é. Nesse momento, o olhar terno e responsável pelo outro ser humano, que busca em nós, outros seres humanos, respostas menos frias e calculadas.

Muita coisa vai mudar. Mas acredito em nosso poder de resposta a essas demandas. Apesar do novo que atemoriza, venceremos. Um colega mandou-me um “zap” preocupado com um sem-número de dificuldades e coisas que nos cercam. Cito em resposta a esse amigo querido uma passagem de um oficial do Exército, em meio à guerra, quando questionado por um soldado:

‒ Senhor, nós estamos cercados!

‒ Excelente. Nós podemos atacar em qualquer direção!

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